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História

VENHA CONHECER À PRIMEIRA SESMARIA DE MATHIAS BARBOZA DA SILVA,

 

HOJE MUNICÍPIO DE MATIAS BARBOSA,

 

CIDADE HOSPITALEIRA E RICA EM CULTURA MINEIRA...

 

Histórico do Município

 

        O município de Matias Barbosa originou-se de “uma sesmaria de uma légua de testada por três de sertão, às margens do rio Paraibuna, entre as roças de Simão Pereira e Antônio de Araújo, concedida a Mathias Barboza da Silva em 1709”, considerada uma das mais antigas da Zona da Mata Mineira, coincidindo com o mesmo ano da abertura oficial do Caminho Novo. Tal caminho era considerado mais curto, porém menos freqüentado por ser muito escabroso e deserto, mas aos poucos o fluxo das tropas foi aumentando. O Registro de Matias Barbosa foi o centro de convergência de toda a atividade do Caminho Novo, barreira onde se pagavam direitos sobre o ouro e os diamantes vindos da região mineradora, enormes quantidades desses preciosos minerais passavam por esse lugar.

 

       Com a morte de Mathias Barboza da Silva, sua sesmaria foi vendida ao Coronel Manuel do Valle Amado, em meados do século XVIII, na Fazenda de Nossa Senhora da Conceição do Registro do Caminho Novo foi erigido o Registro de Matias Barbosa, sendo o mais complexo e exigente, isto é, uma verdadeira alfândega, que controlava a passagem dos tropeiros, forasteiros e outras pessoas, além da circulação de mercadorias e o pagamento dos diversos impostos à Coroa Portuguesa. O Coronel Manuel do Valle Amado foi também comandante da Patrulha do Caminho Novo da Estrada Real e chefe do Alferes Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes.

        

         A Capela de Nossa Senhora do Registro do Caminho Novo (Patrimônio Nacional), atualmente Capela do Rosário, tornou-se referência para os viajantes, no interior da capela existe um alçapão que dá acesso ao túnel misterioso, o qual não se sabe ao certo sua origem. Um pouco fora da rota dos marcos, mas na mesma região, Vale do rio Paraibuna, é possível encontrar a trilha, que vinha da Fazenda do Marmelo, em Juiz de Fora, essa trilha contornava o Morro do Marmelo e o Morro dos Arrependidos (mais um mistério envolvido no Caminho Novo), sendo estes morros duas referências naturais.

       

        Com a independência do Brasil, em 1822, o Registro passou a funcionar como Alfândega e, em seu entorno, desenvolveu-se um pequeno arraial. Porém a ocupação da antiga sesmaria de Mathias Barboza ocorreu a partir de meados do século XIX em diante, com o advento da lavoura cafeeira. Nesta época, chegaram os imigrantes, em grande parte italianos que se somaram aos negros, formando assim um povo singular de grande manifestação cultural.

        

         O povoado viu de perto a construção da primeira estrada macadanizada da América do Sul, a União & Indústria, tendo em Matias Barbosa uma Estação onde se trocava os animais das diligências e carroças. As diligências conhecidas como MAZEPA, conduziam quatorze passageiros, acrescidos do cocheiro e do condutor, eram puxadas por quatro mulas. De Matias Barbosa, a caminho de Juiz de Fora, atravessava-se uma pequena ponte de madeira sobre o rio Paraibuna, chamada de Zamba.

       

        O povoado cresceu e já era vila quando no ano de 1875 os primeiros trilhos da Estrada de Ferro D. Pedro II chegaram por aqui. O núcleo urbano se alterou, passando a se fixar próximo à estação. Pouco depois da Estação, no sentido Juiz de Fora, encontra-se a “Ponte do Arco”, representante de uma engenharia arrojada de outros tempos, com a forma de um arco, sua edificação em pedra nos permite contemplar a beleza de tal construção em prol do progresso, na parte inferior passa uma estrada e um riacho enquanto lá em cima os trilhos cortam a paisagem.

       

         Os atrativos de Matias Barbosa começam já no marco zero deste trecho, na estrada de terra Juiz de Fora – Caeté – Matias, seguindo por acesso à esquerda, encontra-se a Fazenda Belmonte, uma antiga fazenda de café de 1877, que pertenceu ao Conde de Cedofeita.

       

         Na área urbana, encontra-se a antiga sede da Fazenda do Monte Alegre, construída entre 1838 e 1840. Hoje em dia, existe apenas parte do que foi a sede da fazenda.

     

      Logo após a Proclamação da República (1889), foi construído o cemitério municipal em 1892 (Tombamento Municipal como Conjunto paisagístico), onde podemos observar a arte tumular nas lápides centenárias, o túmulo do Cônego Joaquim Monteiro, é um bom exemplo. Ressaltando que o Cônego Joaquim Monteiro foi responsável por mudanças substancias na vila de Mathias Barbosa.

      

       Na sede do município, as atrações culturais e histórias se multiplicam. O núcleo histórico urbano composto pela Estação Ferroviária de Matias Barbosa, inaugurada por D. Pedro II, onde hoje funcionam o Centro Cultural, a Biblioteca Municipal, o Departamento de Cultura e Turismo e a Banda de Música da cidade.

        

        Ao lado da Estação podemos visitar o Artesanato Caminho Novo. De fronte a Estação pode-se apreciar a belíssima fachada quase centenária da Escola Estadual, ao lado o antigo Laboratório de Biologia Veterinária, sendo o Primeiro da América do Sul, hoje se encontra desativado, além da secção gráfica que por muito tempo produziu o maior jornal de circulação da cidade, o Correio de Mathias.

        

         Na Rua Eloy de Andrade podemos observar outra construção, a antiga sede da Companhia Mineira de Eletricidade, pertencente à CEMIG, seus serviços foram primordiais para o desenvolvimento da Vila de Matias Barbosa, pois prestava serviços de transmissão de energia elétrica e telefonia.

     

      Caminhando pelo centro encontramos a arquitetura do Paço Municipal erigido pela construtora Pantaleone Arcuri que representa formas ecléticas e em 2009 completou 80 anos, tendo sido tombado como Patrimônio Municipal. Logo após avistamos a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, construção centenária, com seu teto pintado por Ângelo Biggi, além dos vitrais doados por Bernardo Mascarenhas e sua esposa.

       

        Na Praça Peter Birkeland, encontramos o belíssimo painel de Azulejo, tendo o tema a evolução dos transportes em Matias Barbosa, mas que ao mesmo tempo se mistura também com a evolução dos transportes no Brasil. A cidade foi protagonista das maiores transformações nos meios de transportes terrestres do Brasil. No painel aparece a representação da Carruagem Mazepa na Estrada União & Indústria e a “Maria Fumaça” atravessando o pontilhão de ferro em Matias Barbosa, era a Estrada de Ferro D. Pedro II. Os “sportman” eram homens aventureiros que utilizavam automóveis do início do século XX e viajavam pelas trilhas de antigas estradas, no painel está à representação de um caso real de duas pessoas que saíram de Petrópolis em direção a Juiz de Fora, demonstrando a passagem por Matias Barbosa. Por fim, temos no painel a representação dos transportes rodoviários de passageiros na BR-3.

        

         Ainda no centro da cidade, está aquele que talvez seja o atrativo mais importante de Matias Barbosa: a Capela do Rosário, a antiga Capela de Nossa Senhora da Conceição do Caminho Novo. Construída no século XVIII, a capela aparece retratada na tela “A Jornada dos Mártires”, de Antônio Parreiras, Museu Mariano Procópio, que ilustra a passagem dos inconfidentes pela região, rumo ao Rio de Janeiro, onde seriam julgados e condenados. O que se revela curioso, no caso desta construção, é um alçapão no interior da edificação que dá acesso ao um túnel.

       

        Em direção a Cotegipe pela Estrada União & Indústria, onde termina o trecho do Caminho Novo em Matias Barbosa, temos a Fazenda Soledade, uma das primeiras fazendas a plantar café no Brasil e que pertenceu ao Barão de Bertioga.

        

         Ao longo de 2009 se comemorou os 300 anos do termo de doação da Sesmaria ao fidalgo português Mathias Barboza da Silva, sendo instalado dois marcos comemorativos, o primeiro no adro da Capela do Rosário, magnífico exemplar de Relógio de Sol em Pedra Sabão (réplica) muito utilizado pelos tropeiros no século XVIII e um Chafariz em Pedra Sabão (réplica) inspirado nas obras do período barroco no grande mestre Aleijadinho.

      

       Sendo assim, essa pequena cidade do interior de Minas Gerais mostra seus encantos que são traduzidos na beleza da paisagem montanhosa associada ao vale do Rio Paraibuna, na originalidade de um povo singular, nas suas manifestações culturais, nas pessoas que nela vivem, as quais tornam esta cidade hospitaleira e apaixonante a todos aqueles que por aqui passam levando lembranças que ficarão registradas na memória.